quinta-feira, 25 de dezembro de 2008


Haiku


Este caminho
Ninguém já o percorre,
Salvo o crepúsculo.

De que árvore florida
Chega? Não sei.
Mas é seu perfume.

(Exemplo da poesia japonesa - Haiku)

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Poesia...



Ideal


Aquela, que eu adoro, não é feita

De lírios nem de rosas purpurinas,
Não tem as formas lânguidas, divinas
Da antiga Vénus de cintura estreita...
Não é a Circe, cuja mão suspeita

Compõe filtros mortas entre ruínas,

Nem a Amazona, que se agarra às crinas
Dum corcel e combate satisfeita...
A mim mesmo pergunto, e não atino

Com o nome que se dê a essa visão,

Que ora amostra ora esconde o meu destino...
E como uma miragem que entrevejo,

Ideal, que nasceu na solidão,
Nuvem, sonho impalpável do Desejo...

sábado, 6 de setembro de 2008

Amor Privado


Maldito tempo perdido
Neste amor parado
Tristezas de um detido
Ficar na vida atrasado.
O perfume do teu corpo,
O sabor de te abraçar
Aqui o amor está morto,
E eu carente para te amar.
Loucas saudades sinto
Desses lábios que são teus,
Aqui neste labirinto
Desejo teus lábios meus.
Sou o Inverno mais frio
Neste mundo sem calor,
Porque a sorte me decidiu:
"Privar o teu amor!"
Anónimo

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

As Vinhas da Ira


O livro “As Vinhas da Ira”, de John Steinbeck, é um romance que relata a viagem em busca de melhores condições de vida feito pela uma família, mas que representa uma grande parte na nação americana durante anos 30. Os Joads são uma amostra da sociedade que estava perante uma crise. A sua vida é a vida de milhões de pessoas, por isso o autor tenta descrever ao pormenor o quotidiano das pessoas, o percurso dos heróis principais e as emoções. O desespero e a miséria é o fundo da história, são o segundo plano, enquanto o primeiro é a viajem dos Joads. O autor muitas vezes é simbólico, mas a sua obra é o retrato da realidade. Grande importância têm os capítulos intermédios, que afastam-se da história dos Joads e retratam a situação interna dos EUA. É uma das maiores epopeias do século XX, com o melhor analise sócio-económica que descreve a vida dos trabalhadores-migrantes.
Este livro descreve as consequências de Grande Depressão, fala de economia de uma maneira que nos conseguimos entender, exemplificando os fenómenos económicos. Por outro lado há partes que chocam pela sua sinceridade, pois volto a dizer que o autor retrata a vida tal como ela é. A conclusão que podemos tirar é que até nas situações de maior desespero ou quando estamos na miséria não podemos perder a fé, não podemos deixar de ser humanos. Sempre temos que ajudar aos outros, independentemente do nosso estado, porque é o altruísmo e dignidade que nos distinguem dos animais irracionais.





Uma citação do livro que demonstra o estado psicológico dos pessoas expulsas da sua terra:
“Somos apenas a raiva que sentimos quando nos expulsaram das nossas terras, quando o tractor derrubou as nossas casas. E assim seremos até à morte. Para a Califórnia ou para outra região qualquer – cada ma de nós é um tambor e dirigir uma carga de armaduras, caminhando com a nossa desgraça. E, algum dia, os exércitos de amargura irão pelo mesmo caminho. E todos caminharão juntos, e haverá, então em terror de morte.”
Anastasiya Strembitska

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Falas de civilização...



Falas de civilização, e de não dever ser,
Ou de não dever ser assim.
Dizes que todos sofrem, ou a maioria de todos,
Com as coisas humanas postas desta maneira,
Dizes que se fossem diferentes, sofreriam menos.
Dizes que se fossem como tu queres, seriam melhor.
Escuto sem te ouvir.
Para que te quereria eu ouvir?
Ouvindo-te nada ficaria sabendo.
Se as coisas fossem diferentes, seriam diferentes: eis tudo.
Se as coisas fossem como tu queres, seriam só como tu queres.
Ai de ti e de todos que levam a vida
A querer inventar a máquina de fazer felicidade!

Alberto Caeiro

domingo, 17 de agosto de 2008

Invocação à Noite


Ó deusa, que proteges dos amantes
O destro furto, o crime deleitoso,
Abafa com teu manto pavoroso
Os importantes astros vigilantes:
Quero adoçar meus lábios anelantes
No seio de Ritália melindroso;
Estorva que os maus olhos do invejoso
Turbem d'amor os sôfregos instantes:
Tétis formosa, tal encanto inspire
Ao namorado Sol teu níveo rosto,
Que nunca de teus braços se retire!
Tarda ao menos o carro à Noite oposto,
Até que eu desfaleça, até que expire
Nas ternas ânsias, no inefável gosto.

Bocage

Guernica

"Se apenas houvesse uma única verdade, não poderiam pintar-se cem telas sobre o mesmo tema." "Eu não falo tudo, mas pinto tudo." "A pintura não foi feita para enfeitar paredes. A pintura é uma arma, é a defesa contra o inimigo."
Pablo Picasso

Guernica


É uma tela enorme de Pablo Picasso (7 metros e 82 centímetros de largura por 3 metros e 50 centímetros de altura), pintada em 1937.
Picasso pinta esta obra em 1937, para o pavilhão da República Espanhola na Exposição Internacional de Paris. É inspirado no bombardeio de Guernica, a cidade que fora um dia capital do país basco. O bombardeio fora uma demonstração das letais técnicas bélicas nazistas (Legião Condor, futura Luftwaffe) sobre uma população indefesa. Esta participação da Alemanha nazi deve-se ao desejo alemão de testar e moderar a sua aviação. Nela está representada a brutalidade em sua forma mais anímica, o quadro representa a fúria, a agonia, o medo, o desespero e a dor expressos pelos corpos mutilados. A força agressiva desmesurada é representada por um touro que atravessou a tela vindo desde a direita, destruindo tudo à sua frente, e que agora pára, à esquerda, de boca aberta, cauda empinada, para contemplar o resultado de sua acção. O touro também pode apresentar o povo espanhol que sofre a agonia, parecida com aquela que o animal condenado a morte enfrenta perante um toireador. A catástrofe se espalha pela toda a cena. A figura à direita, braços abertos para o ar, grita pela dor do impacto. Outra figura se agacha para fugir, os olhos arregalados acompanhando o movimento da fúria. Um cavalo que simboliza as forças republicanas permanece em agonia, prevendo a proximidade da sua morte, ao centro, o ventre rasgado por uma terrível chaga aberta. Pedaços de um corpo se espalham pelo chão, a mão empunhando o que restou de uma espada, retrata a batalha perdida, a cabeça com os olhos vazios, sem vida. À esquerda uma das figuras mais trágicas. Uma mulher segura ao colo o filho cujo corpo desce, imóvel. O grito da dor da perda junta-se ao terror da expectativa do ataque do touro que, parece, agora vai investir contra ela. Apesar de tudo, até neste sofrimento existe a esperança e nasce a vida. Acima, uma figura assiste a tudo, olhos arregalados, boca aberta, segurando uma lâmpada (símbolo da esperança), apesar da luz acesa. [1] No centro do quadro, discretamente aparece uma flor, que simboliza a vida e a esperança.

Anastasiya Strembitska


[1] Alguns críticos associam esta personagem à Estátua da Liberdade, em Nova York, uma metáfora dos Estados Unidos da América.